Porque eu sou de Poseidon!

Há meses que esse assunto tem sido pauta entre meus chats e postagens de facebook com amigos. Alguns afirmam que não sou de Zeus, mas de Poseidon. Outros não me acham de Zeus, sugerem outros deuses ou então ficam na dúvida. Pra outros, ainda, não há dúvidas de que ele é meu patrono.

Esse post, na verdade, é mais para falar sobre o que considero que sejam os patronos, do que propriamente me reafirmar de um ou de outro, porque - à bem da verdade - sou dos dois, não apenas de um deles: o que normalmente se tem por uma dupla, em mim se realiza numa tríade: Zeus - Poseidon - Afrodite. 

Dentre os argumentos elencados para dizer que não sou de Zeus, destacam-se alguns como: és pouco paternal, um tanto ausente e mesmo reclamão, não tens paciência com iniciantes, entre outros. Ao meu ver, na minha concepção de patronato, essa é só uma das partes que configuram as divindades que nos regem: nosso modo de ser. Sem dúvida, nosso modo de ser e agir no mundo dizem respeito com a(s) nossa(s) deidade(s) regentes. Acredito que se optam por nos tutelar (seja no nascimento, seja algo posterior, isso não importa) é por termos sim aspectos e valores próximos aos que eles regem. Mas crer que apenas o que aparentamos e externalizamos é suficiente para encontrarmos nossa divindade, ao meu ver, é um ato falho, porque assim como os deuses tem toda sua profundidade de ser (no sentido ontológico mesmo), assim também nós. 

E aí entra o segundo elemento que considero fundamental para identificação de possíveis patronos: nós somos seres humanos, vivemos em sociedade, tivemos certa criação e certa experiência de vida que, bem ou mal, moldam parte daquilo que externalizamos; inerente a isso, existe tudo aquilo que não é expresso, ou que é, mas nem sempre à vista de todos ou a todo momento. O que quero dizer com isso é que, muitas vezes, temos aspectos nossos que não desenvolvemos ao longo da vida, por N razões. E é nesses aspectos que, para mim, incidem a regência divina: mais que nos reger pelo que expressamos ser, os deuses optam por nos reger por termos potencialidades a serem desenvolvidas, que convergem com aquilo que é do escopo da(s) divindade(s). 

Até aqui, vejamos um exemplo do que tento expor: Athena, ao tutelar Telêmaco, tutela um ainda destreinado herói, alguém pueril, sem voz e sem vez no mundo, que se encontra sob a ordem da mãe e sem apoio do pai. A deusa se aproxima dele, obviamente, em primeiro momento, por sua relação com Odisseu, que lhe é um caro herói por conta de sua inteligência; mas, num segundo momento, sua aproximação se deve à necessidade de fazer com que esse menino se tornem um homem, isto é, orientá-lo na sua educação. Ora, Athena não é a única deidade protetora de heróis, o são também Apolo, Poseidon e mesmo o próprio Zeus; então por que Athena? Porque há em Telêmaco a essência, poderiamos dizer até, genealógica da astúcia e da inteligencia. 

Nesse sentido, muitas vezes acho problemático aceitarmos 100% a opnião alheia, ainda que de pessoas de convívio próximo, com laços estreitos e que tenhamos em alta conta, porque GNOTHI SEAUTON, o conhecer-se a si mesmo, é essencial nesse processo de reconhecimento do(s) deus(es) que nos regem. Saber entender, enxergar e aceitar as nuances do nosso próprio ser é que permite a nossa aproximação com eles e a deles conosco no patronato, e isso só pode ser realizado consigo mesmo. Ir a um psicólogo, a um xamã, a alguém experiente nas ciências da alma e do espírito não servem para que digam quem somos, mas para que dentre os caminhos, possamos reconhecer aquele que é o nosso, com todas suas potencialidades e fragilidades. 

Alguns amigos me dizem: "mas por que ficas irritado com a ideia de ser de Poseidon e não de Zeus? Poseidon é também um deus maravilhoso e tão poderoso quanto o irmão." E a isso respondo: não me incomoda ser de um ou de outro, não me importa o poder de um ou outro, ou de outra, que fosse, me importa que a experiência que eu tenho com eles me diz outras coisas, me diz até onde vai a relação com um e com outro, quem participa mais ou menos na minha vida e em quais âmbitos. Enfim, só eu posso saber (e no seu caso, você) quem eles são, o que fazem por mim, o que faço por eles, o que me ensinam e o que me exigem. E ainda que conheça outras pessoas, patronadas pela(s) mesma(s) deidade(s), que tem visões e experiências diferentes, isso não quer dizer que um seja da divindade e o outro não. Vale lembra que os deuses são extremamente plurais e nem sempre os aspectos deles que regem um tutelado, regerão outros.

"o oráculo
em Delfos
não fala
nem cala
assigna"
Heráclito (trad.
Haroldo de Campos)

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Culto Doméstico: Apresentação e Introdução

Continuando a sequência de traduções do conteúdo disponibilizado pelo grupo helênico Labrys, começo hoje a postar a tradução do artigo "Culto Doméstico Helênico", que será dividido em cinco partes dada a sua extensão.


Começo hoje com a Introdução, que segue à essa apresentação, e nos próximos posts trarei os seguintes tópicos, tais como divididos pelo próprio grupo:

1. Os principais deuses do culto doméstico
2. Principais ritos
3. Sobre o altar doméstico e objetos rituais
4. Culto doméstico: primeiro passo

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INTRODUÇÃO

O Oikos (lar) é de especial significância para os helenos. Ele não está associado, como hoje em dia, apenas à casa enquanto uma construção, mas pertencendo a ele também os familiares [1], seus bens, e também aquilo que é o foco desse ensaio: o culto doméstico e as tradições familiares. Esse equívoco é comum aos praticantes do Helenismo que têm sua prática centrada nos festivais da pólis e nos cultos de mistério. O culto doméstico é considerado, senão inexistente, limitado.

Essa é uma impressão falsa, mesmo que justificada pelo fato de relatos escritos e achados arqueológicos (urnas, utensílios e estruturas) nos fornecerem poucas evidências quanto ao culto doméstico em comparação com amplitude de materiais que detalham o culto civil [2]. Assim, é natural que historiadores e outros pesquisadores apresentem trabalhos com predominantes referências ao culto público. Felizmente, esforços recentes têm sido feitos para compilar informações sobre o culto doméstico da religião helênica e a partir daí traçar conclusões. 

Os equívocos surgidos da confusão entre o culto público e o doméstico levam a concepções que simplificam e reduzem a prática religiosa dos nossos ancestrais à uma adaptação dos costumes populares e sociais da pólis presentes nos festivais e cerimônias públicas. Isso gera um enfraquecimento religioso da vida familiar diária dos helenos, assim como limita a compreensão da religião às margens dos parâmetros culturais estabelecidos pelo culto público. De toda forma, a realidade é completamente diferente, já que este último é uma extensão do culto doméstico dos grupos de cidadãos [3].

Especialmente hoje, o foco central ao culto doméstico é absolutamente necessário àqueles que querem seguir as práticas religiosas dos nossos ancestrais, não apenas por ser dessa semente que a religião pode ser melhor cultivada para ressurgir na sociedade, mas também porque no Oikos o indivíduo não se confrontará com problemas de discriminação religiosa, que infelizmente ainda dominam o Estado Helênico atual, onde a religião helênica continua não sendo reconhecida pelo Estado [4].

REFERÊNCIAS:
[1] Em todos os casos e ao menos até o período Helenístico, o indivíduo não era definido fora do sistema geral do qual ele(a) era parte ou ao qual pertencia, isto é, o Oikos (lar), Phratria (irmandade), tribo ou Polis (cidade).

[2] Especialmente quanto ao culto doméstico, os textos frequentemente nos mostram o fenômeno do uso de frases como “de acordo com o que se sabe” ou “de acordo com o (senso) comum”, etc. Quando alguns autores se referem às cerimônias do culto domésticos, poucos deles se detêm em descrever costumes e práticas diárias comuns.

[3] Isto demonstra o ponto do argumento de que era o culto doméstico que influenciava o culto civil, não o contrário. Prova disso são alguns cultos de mistério mantidos em segredo por certas famílias responsáveis pela realização de cerimônias; tais cerimônias levavam ao aparecimento de altares e templos depois da fundação da Pólis.

[4] A Constituição garante a liberdade de expressão religiosa no âmbito particular. Contudo, socialmente a religião não é reconhecida. Isso significa, basicamente, que o culto doméstico pode tem mais possibilida de ser realizado no Oikos do que o culto público de uma comunidade que siga a Tradição Helênica Politeísta numa sociedade repleta de problemas quanto a religiões não reconhecidas. Para a questão do reconhecimento da religião Helênica ver o Memorando do YSEE e também “P. Marinis: Religious Freedom, Atenas”.

Traduzido de:
http://www.labrys.gr/index-en.php?l=oikiaki_latreia-en (em 28/06/2012)

*Gostaria de agradecer ao Th. Petraios por me ajudar no destruncamento para a tradução da terceira nota do texto.

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Sobre libações

Artigo traduzido do site do grupo helênico Labrys.


A libação, ou sponde como é chamado em Grego Antigo, é o verter de líquidos sobre o altar, no fogo, na terra, sobre árvores ou no mar, rios e lagos. É um ato sagrado inseparável da prática religiosa helênica. Ela é, em si mesma, um dos mais importantes atos de expressão religiosa, através do qual nós ofertamos a melhor parte de nós, vertendo assim o nosso respeito para com o divino. 

É através da libação que nós validamos nossas palavras, nossos desejos e nossas ações. Sendo o verter do líquido algo irreversível, ele é um ato que representa a impossibilidade da reversão daquilo que foi pronunciado. Da mesma forma que não podemos colocar o líquido libado de volta em seu recipiente de origem, também não podemos retirar o que já foi dito. A libação é um laço sagrado que vincula o humano ao divino, e aquilo que foi entornado não pode ser recolhido. 

Homero menciona libações feitas antes de dormir, enquanto Hesíodo recomenda-as tanto para serem feitas pela manhã quanto à noite. 

De acordo com a orientação de Empédocles, as libações devem ser de água, mel, azeite, vinho, perfume, leite e sucos de fruta. Contudo, aquele predominante nas libações aos deuses e deusas é o vinho, que representa o néctar dos deuses. 

“Tendo isso dito, apresenta-lhe a deusa uma mesa pequena
cheia de ambrosía, e mistura-lhe o néctar vermelho a contento.”
Homero, Od. 5.92 - 93*

O vinho é ainda um símbolo de Thysia (sacrifício), jovialidade, eternidade e êxtase sagrado. 

As libaçãos são feitas com recipientes específicos, como o oinokhoe, o skyphos (taça) e o krater (que simboliza o todo, a união de um grupo, de uma sociedade, cidade ou local), ou o thepas (tipo de copo).Eles são sempre mantidos limpos e nunca utilizados para nenhum outro propósito além do sagrado, sendo assim mantidos separados dos demais. 

Além das libações de vinho há também aquelas não-alcoólicas, que são nomeadas de acordo com a substância ofertada, como por exemplo: melisponda (libações de mel), hydrosponda (libações de água), elaiosponda (libação de óleo), entre outras. 

Nós fazemos libações não-alcoólicas aos heróis, à Mnemosyne, às Musas, às Eumenides, à Afrodite Urânia (celestial), às Ninfas, à Auge (o amanhecer), à Selene e a Hélios. 

Durante a libação o líquido é vertido lentamente do recipiente sagrado antes de alguém tê-lo tomado. Ao fim da cerimônia, o vinho restante é livremente compartilhado entre os participantes, ação que dá inícios às celebrações a seguir.

Aos deuses ctônios, aos ancestrais e aos mortos, nós oferecemos choes¹. Nelas, o recipiente sagrado é virado de ponta-cabeça com um movemento rápido, de maneira que o líquido seja derramado todo de uma vez. Os mesmos tipos de recipientes utilizados para a libação são usados para a choes

Para a choes, nós vertemos os líquidos na terra, em uma cova ou num pequeno buraco no chão. Nela os líquidos são totalmente vertidos e ninguém, quem quer que seja, se serve deles. 

Um exemplo de choes dedicada aos mortos é descrito por Homero na Odisseia, quando Odisseu realiza uma sobre o solo suplicando aos mortos. 

[516]A esse lugar, herói, chega-te, tal como agora te exorto,
e um fosso cava, que tenha de todos os lados um côvado.
À sua volta farás libações para todos os mortos:
primeiramente, de mel misturado; depois, de bom vinho,
[520]de água a terceira e, por cima de tudo, farinha derrama.
Homero, Od. 10.516 - 520* 

Aos nossos mortos, fazemos choes triplas, com mel, leite e vinho. 

Libações feitas a Orkos (Juramento) também não são consumidas. Nós vertemos todo o vinho e então quebramos o recipiente. A sua quebra sela a irreversibilidade do Juramento.

De cima para baixo: 1) Kýathos; 2) Kántharos; 3) Oinochón; 4)Skýfos; 5) Kratér

Notas do Tradutor:
*Ao invés de eu mesmo traduzir do inglês os excertos da Odisséia , preferi recorrer à uma tradução dentre as já consagradas. Dessa forma, a versão em português aqui disponibilizada é a da seguinte edição: NUNES, Carlos Alberto. Odisséia - Homero. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009. (1º excerto: p.100; 2º excerto: p.186)

¹ No Grego, tanto antigo quanto moderno, a tradução de choes para o português também significa libação, contudo, sendo esta uma libação específica às entidades ctônicas, difere da libação convencional - a qual recebe o nome de sponde -, com procedimentos diferentes como se verá no seguir do texto. Por conta disso optei por manter o termo choes ao invés de traduzí-lo.

Traduzido de:

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Sobre os altares

Artigo traduzido do site do grupo helênico Labrys.

O componente físico primário do culto Helênico é o altar, sem o qual o culto se torna difícil [1]. O altar é o local de tomada de consciência quanto aos deuses e o lugar específico para a humanidade honrar ao divino. O altar não é necessariamente idêntico ao sagrado - que pode ser uma árvore, uma fonte ou um lugar em si -, mas o ato de honrar o sagrado tem lugar nele. Ele é, na verdade, um portal produzido pelo homem para se comunicar com os deuses e, devido a isso, é dotado de caráter sagrado [2].

Mesmo sendo o altar uma produção humana, após sua consagração ele não pertence mais exclusivamente ao mundo humano, mas funciona como uma ponte que conecta nosso mundo ao mundo dos deuses. Metafóricamente, podemos dizer que é uma ponte daqui para o Olimpo ou da dimensão humana para a divina.

Frequentemente nós ouvimos que os altares foram fundados pelos próprios deuses, por um heroi [3] ou por uma pessoa importate. A fundação de uma altar pelos deuses serve para ilustrar o papel que a epifania desempenha em situar e estabelecer um local sagrado, enquanto a fundação pelos herois ou por pessoas importantes requer capacidades inerentes de um determinado povo para o reconhecimento de um local sagrado. Independente de como um altar seja fundado, após consagrado, ele não pode ser movido [4]. Na consagração, ele se torna a fundação para a ponte entre os mundos dos deuses e dos homens, então, se movido, a ponte será perdida. A arqueologia oferece vários exemplos de templos e outras construções sagradas que foram realocadas, mas cujo altar sempre permanece no mesmo lugar onde foi originalmente estabelecido [5].

Figura 5: Altar duplo de
Afrodite e Adonis
Os altares podem ser divididos em três grandes categorias, dependendo do tipo de culto: residencial [6], santuários, e comunitários [7]. Dependendo do tipo de oferta, os altares também são classificados como sacrificiais, ígneos, não-ígneos e votivos (sem sangue). De acordo com o plano, são divididos em Ctônicos, Olimpianos ou dos mortos [8]. Cada uma dessas categorias tem diferenças significantes tanto quanto às características exteriores quanto às esotéricas [9].

Normalmente os altares são dedicados a um deus específico [10], mas ocorre, muitas vezes, de serem dedicado a deuses relacionados entre si (figura 5). Contudo, há casos isolados de altares dedicados a todos os Olimpianos, de maneira geral, ou a todo o panteão [11]

Figura 8: Um exemplo
típico de um altar cilíndrico,
da Ágora de Atenas, completo,
com eschara no centro para
colocação vasilhame onde o
fogo era aceso. Classicamente
decorado com uma guirlanda.
Tecnicamente, o material usado, a forma e o tamanho do altar podem variar [12], contudo, por questões práticas, é preferível um material forte e resistente como, por exemplo, uma rocha. A forma de trapézio é preferível, não só por servir melhor ao propósito do altar (colocar oferendas, acender velas e cozinhar porções sacrificiais), mas também por essa forma remeter, simbolicamente, a condição mítica de quando os homens banqueteavam com os deuses [13]. No topo e centralizado no altar, costuma-se encontrar um buraco entalhado, conhecido como “escharis”. Sobre ele é colocado o recipiente, conhecido como “epipyron”, no qual o fogo é aceso (figura 8). Na cerimônia, os participantes ficam em círculo no entorno do altar quando ela ocorre em ambientes externos ou em santuários rurais, ou em um semicírculo quando a cerimônia ocorre dentro de um temenos (pátio em frente a um templo, onde o altar é localizado formando um complexo). Além disso, o altar pode ser disposto sobre escadas, criando assim um lugar elevado para os sacerdotes ficarem, conhecido como “prothesis”. A direção do altar em relação ao templo é estabelecida num eixo leste-oeste, ficando o altar a leste e a entrada do templo a oeste. 

Por fim, um fator muito importante para o nosso culto é a nossa atitude quanto ao altar. Ele deve ser mantido em boas condições, permanecer limpo e sem miasma, uma vez que a mínima impureza romperá a ligação com os deuses, deixando-o inutilizado e tornando-o, novamente, uma simples estrutura sem nenhuma função religiosa. Nesse caso, o altar pode ter seu estado original restaurado apenas depois de finalizados os ritos de purificação, que requerem assistência de pessoas com conhecimento especializado [14]. Por isso, nós devemos estar cuidadosos e adequadamente preparados quando nos aproximarmos da área do altar.

NOTAS E REFERÊNCIAS:


Figura 1: Sacerdotisa fazendo
oferenda no altar
[1] A conhecida frase "ΥΠΕΡ ΒΩΜΩΝ ΚΑΙ ΕΣΤΙΩΝ" (para nossos altares e lares) ilustra a importância dada aos altares na comunidade helênica. Cenas de culto são retratadas nos altares, como na figura 1 e sob o altar da figura 3, em que Ganymedes oferece vinho a Zeus.

[2] Dessa forma, a sacralidade do altar proteje um devoto tão logo ele o toque. Ref: o caso de Kyloneian Agos (a maldição de Kyloneios) na Athena Antiga.

[3] Assim como o temenos ou templo. 
Figura 3: Ganymedes oferece
vinho a Zeus

[4] Burkert, Walter. Ancient Greek Religion. Atenas, 1993. Isso não é completamente verdadeiro para altares domésticos criados para culto familiar ou para altares em prédios públicos, onde o altar é diretamente ligado à instituição governamental ou doméstica; isso é, estruturas não tão sagradas quanto um templo. 

[5] Normalmente o altar é fundado após o primeiro sacrifício, ou ofertas, que eram feitas nele. 

[6] Ver “Altares domésticos”. (em breve)

[7] Muitos prédios públicos na cidade tinham um altar. Havia também altares no mercado e muitos outros vinculando a atividade sócio-política dos cidadãos ao divino. 

[8] Mesmo tendo função similar, altares para os ctônios e para os mortos não eram o mesmo que altares em si. Eles eram buracos ou lareiras, conhecidos como uma eschara, nos quais ofertas eram atiradas e deixadas para queimar. 

Figura 4: Hércules e Tritão
[9] O termo “esotérico” refere-se àqueles elementos que, mesmo sendo essenciais para o culto, são difíceis de se entender apenas observando as características externas ou mundanas de achados arqueológicos. Literatura e filosofia são estudados para um significado esotérico mais profundo. 



 [10] Normalmente nós sabemos a qual deus um altar é dedicado por conta das inscrições ou cenas entalhadas sobre ele (figura 4)




[11] Por exemplo, o altar dos doze deuses no mercado ateniense e o altar no Panteão de Roma. 

Figura 6: Arqueólogos trabalhando
no altar do sítio do Monte Liceu
[12] Exemplos típicos da gama de possíveis variações de altares são aqueles criados pelos depósitos de cinza nos santuários, como o altar de Zeus em Olímpia ou Liceu (figura 6) e as construções monumentais do altar de Pergamon (figura 7) ou o de Hierão II de Siracusa.   

[13] Hesíodo em “Os trabalhos e os dias”, onde encontramos uma arquetípica descrição detalhada do método de sacrifício tal como feito por Prometeu, da preparação à execução. Para um estudo completo, ver “La cuisine de sacrifice en pays grec”, Jean-Pierre Vernant e Marcel Detienne, Paris, 1979. 

Figura 7: O altar de Pérgamo como
exposto atualmente no museu
[14] Um exemplo histórico é o caso da Maldição Kyloneia, quando os atenienses foram forçados a trazer o sacerdote Epimenides de Phaistos para realizar os ritos necessários para a purificar, do miasma, a cidade. Ver o artigo da Wikipedia sobre isso. Um exemplo mítico é o miasma do altar proveniente do corpo não cremado de Polinice, na Antígona de Sófocles. O deus Dioniso, patrono da cidade, foi invocado para livrá-los do miasma.




OUTRAS IMAGENS:


Figura 2: Cena de uma cerimônia
sobre o altar
Figura 9: Sarcófago em "Agia
Triada" em Creta retrata uma
cerimônia da Creta Minóica, de
aproximadamente 3200 anos.


Artigo traduzido de:


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[ESPECIAL] "Greek Religion" de Walter Burkert

Canônico entre muitos de nós, interessados e pesquisadores da religião antiga dos gregos, "Greek Religion" de Walter Burket, que chegou a ser traduzido para uma edição em Português de Portugal com o título de "Religião grega na época clássica e arcaica", é o livro que comecei a ler e que passarei a resenhar para o Aktaios. Mas como?

Sendo uma obra extensa, 500 páginas no inglês, e profunda sobre o assunto, seria um sacrilégio tentar expô-la em um único post, que ficaria imenso e ilegivel ou sintetizado demais. Sacrilégio pra mim, que estou lendo; pra vocês, que poderão curtir o quanto eu conseguir transmitir; e também com a obra em si, que merece ser exposta e vista tanto quanto possível. Assim, opto por fazer resenhas de capítulos em vez de fazer do livro todo, como venho fazendo com outras obras. Contudo, como até mesmo alguns capítulos são extensos, pode ser que eu acabe optando, dependendo do quanto vá conseguir discorrer sobre os assuntos levantados, por fazer posts dos tópicos de cada capítulo. 

Para facilitar pra todo mundo, crio agora, com esse post, o marcador "Especiais", que servirá tanto para esta quanto para outras obras que estão na fila. Crio também o marcador "Burkert" para que, futuramente, quando eu fizer o mesmo molde com outras obras, vocês possam reacessar o conteúdo com mais facilidade, quando quiserem. Além disso, os posts serão numerados e terão as referências do ponto trabalhado logo no começo, ok?

Espero que gostem!



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